Barron e Miller duelam em The Art of Piano

30/10/2019 | 17:54

Por Emerson Lopes *

O encontro de dois gigantes do jazz sempre termina em coisa boa. A história está cheia de exemplos que comprovam isso. Basta lembrar da parceria Charlie Parker & Dizzy Gillespie, John Coltrane & Miles Davis, Ella Fitzgerald & Joe Pass e Herbie Hancock & Wayne Shorter. Todos esses encontros aconteceram com instrumentos distintos, mas também temos belos registros de parcerias com instrumentos iguais, entre eles, os saxofonistas Coleman Hawkins & Lester Young, Lee Konitz & Warne Marsh, Eric Alexander & Vicent Herring, os guitarristas John Scofield & Pat Metheny e os pianistas Herbie Hancock & Chick Corea.

De olho nessa riquíssima história, a gravadora Sunnyside Records lança o álbum triplo The Art of Piano Duo – Live, com os pianistas Kenny Barron & Mulgrew Miller. Os discos trazem três shows distintos. Um gravado em 2005, em Marciac, na França, e dois registrados na Suíça, ambos em 2011, nas cidade de Genebra e Zurique. Sozinhos no palco, os dois pianistas mostram a fina arte do improviso. Em entrevista para divulgar o disco, Barron comentou como funciona a parceria com Miller.

Disco triplo traz pianistas “duelando” ao vivo

“Nós nunca conversamos sobre a música. Nós nos sentávamos e determinávamos quem iria começar e pronto. Se eu soubesse [a música], apenas acenaria com a cabeça. Se eu não soubesse, balançaria a cabeça e ele tentaria outra. Nós apenas deixamos isso acontecer. Isso foi divertido, imaginando para onde poderíamos ir. Na maioria das vezes funcionava”.

Com um repertório eclético, que passa por Benny Carter (“When Lights Are Low”), Rogers & Hart (“It Never Entered My Mind”), Jimmy Van Heusen (“It Could Happen To You”), Charlie Parker (Yardbird Suite), Duke Ellington (“I Got It Bad And That Ain’t Good”) e Thelonious Monk (“Blue Monk”), os experientes pianistas mostram a principal essência do jazz: o improviso, que aqui recebeu ainda uma boa dose de entrosamento.

Mas para o ouvinte menos “treinado”, em alguns momentos, o disco vai parecer um pouco confuso. É claro que os solos e improvisos estão garantidos, por outro lado, o excesso de notas poderá distrair o ouvinte e tornar a audição menos prazerosa. Mas nada que comprometa a essência do disco, com dois mestres do instrumento. O disco também traz, além dos duetos, temas solos, entre eles, “Song For Abdullah”, com Barron, e “I Got It Bad And That Ain’t Good”, com Miller.

Miller faleceu em 2013, aos 57 anos, vítima de um derrame cerebral. Durante sua carreira, tocou com a orquestra de Duke Ellington, comandada por Mercer Ellington, filho de Duke, a cantora Betty Carter, o trompetista Woody Shaw e o baterista Art Blakey. Conheça também os discos Live at Yoshi Volume 1 e 2, com Miller acompanhado por Karriem Riggins (bateria) e Derrick Hodge (baixo), gravado ao vivo no clube californiano em 2003.

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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Por Emerson Lopes *

O encontro de dois gigantes do jazz sempre termina em coisa boa. A história está cheia de exemplos que comprovam isso. Basta lembrar da parceria Charlie Parker & Dizzy Gillespie, John Coltrane & Miles Davis, Ella Fitzgerald & Joe Pass e Herbie Hancock & Wayne Shorter. Todos esses encontros aconteceram com instrumentos distintos, mas também temos belos registros de parcerias com instrumentos iguais, entre eles, os saxofonistas Coleman Hawkins & Lester Young, Lee Konitz & Warne Marsh, Eric Alexander & Vicent Herring, os guitarristas John Scofield & Pat Metheny e os pianistas Herbie Hancock & Chick Corea.

De olho nessa riquíssima história, a gravadora Sunnyside Records lança o álbum triplo The Art of Piano Duo – Live, com os pianistas Kenny Barron & Mulgrew Miller. Os discos trazem três shows distintos. Um gravado em 2005, em Marciac, na França, e dois registrados na Suíça, ambos em 2011, nas cidade de Genebra e Zurique. Sozinhos no palco, os dois pianistas mostram a fina arte do improviso. Em entrevista para divulgar o disco, Barron comentou como funciona a parceria com Miller.

Disco triplo traz pianistas “duelando” ao vivo

“Nós nunca conversamos sobre a música. Nós nos sentávamos e determinávamos quem iria começar e pronto. Se eu soubesse [a música], apenas acenaria com a cabeça. Se eu não soubesse, balançaria a cabeça e ele tentaria outra. Nós apenas deixamos isso acontecer. Isso foi divertido, imaginando para onde poderíamos ir. Na maioria das vezes funcionava”.

Com um repertório eclético, que passa por Benny Carter (“When Lights Are Low”), Rogers & Hart (“It Never Entered My Mind”), Jimmy Van Heusen (“It Could Happen To You”), Charlie Parker (Yardbird Suite), Duke Ellington (“I Got It Bad And That Ain’t Good”) e Thelonious Monk (“Blue Monk”), os experientes pianistas mostram a principal essência do jazz: o improviso, que aqui recebeu ainda uma boa dose de entrosamento.

Mas para o ouvinte menos “treinado”, em alguns momentos, o disco vai parecer um pouco confuso. É claro que os solos e improvisos estão garantidos, por outro lado, o excesso de notas poderá distrair o ouvinte e tornar a audição menos prazerosa. Mas nada que comprometa a essência do disco, com dois mestres do instrumento. O disco também traz, além dos duetos, temas solos, entre eles, “Song For Abdullah”, com Barron, e “I Got It Bad And That Ain’t Good”, com Miller.

Miller faleceu em 2013, aos 57 anos, vítima de um derrame cerebral. Durante sua carreira, tocou com a orquestra de Duke Ellington, comandada por Mercer Ellington, filho de Duke, a cantora Betty Carter, o trompetista Woody Shaw e o baterista Art Blakey. Conheça também os discos Live at Yoshi Volume 1 e 2, com Miller acompanhado por Karriem Riggins (bateria) e Derrick Hodge (baixo), gravado ao vivo no clube californiano em 2003.

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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