George Clooney escala Dianne Reeves

George Clooney escala Dianne Reeves

Muitas cantoras apareceram nos últimos 30 anos, mas poucas conseguiram “sobreviver”. Ao contrário
dos cantores, que desde a morte de Frank Sinatra continua à procura de uma nova voz, o universo feminino no jazz tem se mostrado ativo e fértil. Mas o ouvinte deve ter cuidado com o que vai consumir e tentar separar o joio do trigo. Cantoras como Cassandra Wilson, Diana Krall, Dee Dee Bridgewater e Diane Schuur são alguns dos nomes que podem ser degustados sem medo ou contra indicação. Neste seleto grupo de vozes femininas também está Dianne Reeves, estrela da gravadora Blue Note e vencedoras de cinco prêmios Grammy.

No início de carreira, Dianne flertou com a música pop e o rhythm and blues, mas não conseguiu espaço e aos poucos foi se aproximando do jazz. Com um timbre de voz semelhante ao da cantora Sarah Vaughan, que homenageou com o disco The Calling (2001), as comparações foram inevitáveis. Contratada pela Blue Note no início da década de 1990, Dianne já gravou uma dezena de álbuns e alcançou o merecido status de grande intérprete do jazz.

Um de seus grandes momentos foi a participação no filme Boa noite e boa sorte (Good night, and good luck), de 2005. Dirigido pelo ator George Clooney, o longa rodado em preto e branco conta a história real do jornalista Edward Murrow e sua luta “contra” a cruzada anticomunista do senador republicano Joseph McCarthy, que aconteceu no início dos anos de 1950. Dianne aparece em várias cenas interpretando uma cantora de jazz. Além de sua valiosa “interpretação” de cantora, ela também brilha na trilha sonora.

Reeves e Clooney no set de filmagem

Todas as músicas foram escolhidas por Clooney e a gravação que você escuta no CD foi basicamente toda gravada no set de filmagem, no momento em que o diretor filmava as cenas da cantora e dos
músicos, entre eles o saxofonista Matt Catingub e o pianista Peter Martin. A composição sax, bateria e piano deu um clima tranquilo ao disco e o acompanhamento ideal para as interpretações de Dianne.

Logo de saída, o clássico “Straighten Up and Fly Right” já arrebata o ouvinte. Na sequência vêm “I’ve Got My Eyes On You”, “Gotta Be This Or That” e a deliciosa “Too Close for Confort”. As baladas dominam o álbum em temas como “Who’s Minding the Store?”, “Pretend”, “Solitude” e “How High the Moon”. Outros destaques são as releituras de “One for My Baby”, “There’ll Be Another Spring” e “TV Is the Thing This Year”, famosa na voz de Dinah Washington.

Romero Lubambo

A cantora também tem uma relação de duas décadas com o violonista carioca Romero Lubambo, que tem mais prestígio fora do Brasil. Além de se encontrarem com frequência nos palcos dos principais festivais e casas de jazz, Lubambo participou dos discos A Little Moonlight (2003), When You Know (2008) e The Moment (2000), este último gravado ao vivo e com a cantora interpretando, entre outras, versões em inglês de “Travessia”, de Milton Nascimento, e “Triste”, de Tom Jobim. A dupla participou em 2019 do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, na cidade de Rio das Ostras (RJ).

Na telona

Este texto faz parte da série Nas Trilhas do Jazz, que destacará trilhas sonoras de filmes que têm o jazz como protagonista. No universo das trilhas de cinema, o jazz tem demonstrado ser um ótimo coadjuvante e, em alguns momentos, um personagem essencial para o desenrolar da trama.

Impossível não lembrar de Bird (1988), Por Volta da Meia Noite (1986)Whiplash (2014) e A Era do Rádio (1987). Além, é claro, dos inesquecíveis Música e Lágrimas (1954), com Glenn Miller, Ascensor para o Cadafalso (1958), com Miles Davis, Paris Blues (1961), com Duke Ellington e Louis Armstrong, Alfie (1966), com Sonny Rollins, e Tempestade de Ritmo (1943), com Lena Horne e Cab Calloway.

Recentemente, outros dois filmes também trouxeram o jazz para a telona: Chet Baker: A Lenda do Jazz (Born to Be Blue), de 2015, e A Vida de Miles Davis (Miles Ahead), de 2016. Também é importante destacar a dedicação do ator e diretor Clint Eastwood ao jazz. Além de atuar e dirigir, com frequência, Eastwood também faz parte da trilha sonora, compondo e tocando, e assumindo o papel de curador das músicas escolhidas. Filmes como Perversa Paixão (1971), Bird (1988), As Pontes de Madison (1995), Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal (1997) e Gran Torino (2008) trazem em suas trilhas grandes nomes e temas do jazz.

veja-sp-comerebeber-2019-2020

LOCALIZAÇÃO
Blue Note SP • Conjunto Nacional • 2º andar
Avenida Paulista 2073
Consolação • São Paulo

APRESENTADO POR

PATROCÍNIO

CIA. AÉREA OFICIAL

APOIO

MEDIA PARTNERS

2021 © Blue Note São Paulo. Todos Direitos Reservados. Política de Privacidade

Desenvolvido por