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Coleções e fascículos ainda estão entre nós

14/04/2021 | 03:50

Por Emerson Lopes*

Sim, todos nós sabemos que as novas gerações (leia-se abaixo de 30 anos) não têm o costume de comprar música no formato físico. Esta opção é naturalmente compreensível diante da falta de interesse das próprias gravadoras em lançar CDs de seus artistas e divulgá-los. Soma-se a isso a evolução da tecnologia e a popularização das plataformas de streaming, entre elas, Deezer e Spotify, além do YouTube. Todas elas com milhões de músicas para ouvir a preço de banana.

É claro que alguém vai falar sobre a retomada do LP, que em setembro de 2020 faturou mais do que o CD, após anos de hegemonia do disquinho digital a laser. Não podemos negar também o fato de o vinil ter se tornado um objeto de colecionador e que atrai a curiosidade de uma pequena parcela de jovens, que um dia ouviram falar de um de “bolachão”.

Disco da coleção Clássicos do Jazz no formato livro-CD

Mas antes da derrocada final dos CDs, que ainda são comercializados hoje em dia, um fenômeno tentou capilizar o formato digital com uma estratégia aparentemente simples: reedições. Não que tenha sido totalmente uma novidade, mas, desta vez, o caminho encontrato foi fazer uma parceria com grandes veículos da imprensa escrita e agregar valor à música com edições ricas em informação e com uma embalagem mais sofisticada.

Há vários exemplos, entre eles, as coleções lançadas pela Folha de S. Paulo, com destaque para Clássicos do Jazz, Lendas do Jazz, Soul & Blues, Vozes, 50 Anos da Bossa Nova e Raízes da Música Popular Brasileira. Todas lançadas no formato livro-CD, ou seja, além de uma seleção com os principais temas dos artistas em destaque, o consumidor também leva um pequeno livro com fotos e textos muito bem escritos e informativos. Com a mesma proposta, também lançado pela Folha, foram publicados coleções exclusivas de Tom Jobim e Elis Regina, abrangendo quase integralmente a discografia de cada um deles no formato livro-CD.

Quem também se lançou neste mercado foi a editora Abril, que na época tinha uma tradição de décadas comercializando coleções dos mais diversos assuntos. Diferentemente das coleções da Folha, que eram vendidas em um primeiro momento, semanalmente, com o jornal, as edições da Abril podiam ser compradas em livrarias. No formato livro-CD, foram lançadas edições de Milton Nascimento, Tim Maia, Legião Urbana e Chico Buarque. Em 2001, a Abril também editou a coleção Mitos do Jazz, com 20 livros-CD, entre eles, Miles Davis, Dizzy Gillespie e Dave Brubeck.

Noel, Cartola, Adoniran são alguns dos discos da coleção Raízes da MPB

Vale lembrar que em 1970, a editora Abril lançou a série História da Música Popular Brasileira, que trazia fascículos sobre os mais importantes nomes da nossa música, entre eles, Noel Rosa, Pixinguinha, Lupicinio Rogrigues e Gilberto Gil, e acompanhado de um LP de 7 polegadas. Essa mesma coleção foi relançada mais duas vezes, em 1977 e 1982, mas com algumas mudanças nos artistas escolhidos. Em 1980, a Abril também foi responsável pelo lançamento da coleção de LPs Os Gigantes do Jazz, vendida em fascículos.

Uma das últimas iniciativas de vender fascículos de música, neste caso já na era do CD, na década de 1990, foram as coleções Os Grandes do Jazz, da editora Del Prado, Jazz Masters, da Folio Collection, e Mestres do Blues, da editora Altaya.

Também é importante destacar a coleção Grande Discoteca Brasileira, que foi lançada pelos jornais O Estado de S.Paulo e Zero Hora (RS). No formato livro-CD, a série destaca 25 títulos dos mais distintos gêneros musicais e épocas. Entre os discos estão Cazuza – Ideologia (1988), Luiz Melodia – Pérola Negra (1973), Alceu Valença – Cavalo de Pau (1982), Titãs – Cabeça Dinossauro (1986), Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973) e Tropicália ou Panis et Circenses (1968).

Para quem ainda gosta de “tocar” na música enquanto está ouvindo um som, as coleções citadas acima terão efeito imediato. Apesar de 90% delas não serem mais vendidas “oficialmente” por seus editores responsáveis, é muito fácil encontrá-las na internet ou nos principais sebos das grandes cidades brasileiras. Então, mãos à obra e bom garimpo.

Fascículos da coleção Gigantes do Jazz, lançados pela editora Abril

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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Por Emerson Lopes*

Sim, todos nós sabemos que as novas gerações (leia-se abaixo de 30 anos) não têm o costume de comprar música no formato físico. Esta opção é naturalmente compreensível diante da falta de interesse das próprias gravadoras em lançar CDs de seus artistas e divulgá-los. Soma-se a isso a evolução da tecnologia e a popularização das plataformas de streaming, entre elas, Deezer e Spotify, além do YouTube. Todas elas com milhões de músicas para ouvir a preço de banana.

É claro que alguém vai falar sobre a retomada do LP, que em setembro de 2020 faturou mais do que o CD, após anos de hegemonia do disquinho digital a laser. Não podemos negar também o fato de o vinil ter se tornado um objeto de colecionador e que atrai a curiosidade de uma pequena parcela de jovens, que um dia ouviram falar de um de “bolachão”.

Disco da coleção Clássicos do Jazz no formato livro-CD

Mas antes da derrocada final dos CDs, que ainda são comercializados hoje em dia, um fenômeno tentou capilizar o formato digital com uma estratégia aparentemente simples: reedições. Não que tenha sido totalmente uma novidade, mas, desta vez, o caminho encontrato foi fazer uma parceria com grandes veículos da imprensa escrita e agregar valor à música com edições ricas em informação e com uma embalagem mais sofisticada.

Há vários exemplos, entre eles, as coleções lançadas pela Folha de S. Paulo, com destaque para Clássicos do Jazz, Lendas do Jazz, Soul & Blues, Vozes, 50 Anos da Bossa Nova e Raízes da Música Popular Brasileira. Todas lançadas no formato livro-CD, ou seja, além de uma seleção com os principais temas dos artistas em destaque, o consumidor também leva um pequeno livro com fotos e textos muito bem escritos e informativos. Com a mesma proposta, também lançado pela Folha, foram publicados coleções exclusivas de Tom Jobim e Elis Regina, abrangendo quase integralmente a discografia de cada um deles no formato livro-CD.

Quem também se lançou neste mercado foi a editora Abril, que na época tinha uma tradição de décadas comercializando coleções dos mais diversos assuntos. Diferentemente das coleções da Folha, que eram vendidas em um primeiro momento, semanalmente, com o jornal, as edições da Abril podiam ser compradas em livrarias. No formato livro-CD, foram lançadas edições de Milton Nascimento, Tim Maia, Legião Urbana e Chico Buarque. Em 2001, a Abril também editou a coleção Mitos do Jazz, com 20 livros-CD, entre eles, Miles Davis, Dizzy Gillespie e Dave Brubeck.

Noel, Cartola, Adoniran são alguns dos discos da coleção Raízes da MPB

Vale lembrar que em 1970, a editora Abril lançou a série História da Música Popular Brasileira, que trazia fascículos sobre os mais importantes nomes da nossa música, entre eles, Noel Rosa, Pixinguinha, Lupicinio Rogrigues e Gilberto Gil, e acompanhado de um LP de 7 polegadas. Essa mesma coleção foi relançada mais duas vezes, em 1977 e 1982, mas com algumas mudanças nos artistas escolhidos. Em 1980, a Abril também foi responsável pelo lançamento da coleção de LPs Os Gigantes do Jazz, vendida em fascículos.

Uma das últimas iniciativas de vender fascículos de música, neste caso já na era do CD, na década de 1990, foram as coleções Os Grandes do Jazz, da editora Del Prado, Jazz Masters, da Folio Collection, e Mestres do Blues, da editora Altaya.

Também é importante destacar a coleção Grande Discoteca Brasileira, que foi lançada pelos jornais O Estado de S.Paulo e Zero Hora (RS). No formato livro-CD, a série destaca 25 títulos dos mais distintos gêneros musicais e épocas. Entre os discos estão Cazuza – Ideologia (1988), Luiz Melodia – Pérola Negra (1973), Alceu Valença – Cavalo de Pau (1982), Titãs – Cabeça Dinossauro (1986), Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973) e Tropicália ou Panis et Circenses (1968).

Para quem ainda gosta de “tocar” na música enquanto está ouvindo um som, as coleções citadas acima terão efeito imediato. Apesar de 90% delas não serem mais vendidas “oficialmente” por seus editores responsáveis, é muito fácil encontrá-las na internet ou nos principais sebos das grandes cidades brasileiras. Então, mãos à obra e bom garimpo.

Fascículos da coleção Gigantes do Jazz, lançados pela editora Abril

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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