Corea, Redman e Esperanza concorrem ao Grammy 2020

22/11/2019 | 17:29

Por Emerson Lopes *

A lista dos indicados ao Grammy foi publicada no dia 20 de novembro. A premiação da 62ª edição acontecerá no dia 26 de janeiro de 2020, em Los Angeles. Ao todo são 84 categorias que englobam ritmos como blues, gospel, dance, rock, country, metal, folk, r&b, entre outros. A categoria jazz é dividida em cinco subcategorias. São elas: melhor improvisação solo, melhor disco vocal, melhor disco instrumental, melhor disco de big band e melhor disco de jazz latino.

Neste ano, o Brasil concorre na categoria melhor disco de jazz latino com o álbum Sorte!: Music by John Finbury. O disco traz nos vocais a cantora carioca Thalma de Freitas, acompanhada por Vitor Gonçalves (piano), John Patitucci (baixo), Chico Pinheiro (violão), Airto Moreira e Rogerio Boccato (percussão) e Duduka Da Fonseca (bateria). Os concorrentes da brasileira são Chick Corea & The Spanish Heart Band, Jazz At Lincoln Center Orchestra com Wynton Marsalis & Rubén Blades, David Sánchez e Miguel Zenón. A disputa será difícil, pois Corea e Marsalis são veteranos na premiação e já conquistaram vários prêmios.

Outro brasileiro que pode conquistar o Grammy é o violonista paulista Diego Figueiredo. Ele concorre na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música “Marry Me a Little”, em parceria com a cantora francesa Cyrille Aimée. Diego participa de duas faixas do disco Move On: A Sondheim Adventure, lançado por Cyrille no início de 2019.

Thalma de Freitas é a única brasileira concorrendo ao Grammy 2020

Na categoria melhor disco vocal, o destaque é a cantora Sara Gazarek, que lançou o aclamado disco Thirsty Ghost, e tenta deixar o “segundo escalão” das cantoras de jazz. Vencer o Grammy poderá ser o passo definitivo em sua carreira. Na disputa com Sara estão as experientes Catherine Russell, com Alone Together e The Tierney Sutton Band, com Screenplay. Completam as indicações Esperanza Spalding, com 12 Little Spells, e Jazzmeia Horn, com Love & Liberation. Jazzmeia esteve recentemente no Brasil e tem sido considerada a grande revelação do jazz, com grandes chances de levar seu primeiro Grammy.

Outra curiosidade desta categoria é a falta de um representante masculino. Em 2019, por exemplo, entre os cinco indicados, três eram do sexo masculino. Nas duas últimas edições, na categoria melhor disco vocal, o prêmio ficou com a cantora Cécile McLorin Salvant. Saiba mais sobre o disco de Sara Gazarek na matéria publicada no blog do Blue Note clicando aqui.

Na categoria melhor disco de jazz, a academia indicou nomes consagrados nas últimas três décadas. São eles: o pianista Brad Mehldau, os saxofonistas Branford Marsalis e Joshua Redman, o baixista Christian McBride e o organista Joey DeFrancesco. Dos indicados, apenas Marsalis já levou um Grammy nesta categoria. Veterano em indicações, 10 ao todo, Joshua Redman lançou um dos mais belos álbum de jazz em 2019 (Come What May) e tem todos os requisitos para sair vencedor. Correndo por fora está o onipresente Christian McBride com o ótimo New Jawn, lançado no fim de 2018. Clique aqui e saiba mais sobre os discos de Redman e Marsalis na matéria publicada no blog do Blue Note Rio.

Julian Lage concorre ao Grammy de melhor improvisação de jazz

A categoria melhor improvisação solo destaca sempre um único tema pinçado de um disco. Desta vez, estão na briga o veterano trompetista Randy Brecker, com a música “Sozinho”, do disco Rocks, o guitarrista Julian Lage, com “Tomorrow is the Question”, do disco Love Hurts, a saxofonista chilena Melissa Aldana, com “Elsewhere”, do disco Visions, o saxofonista Branford Marsalis, com “The Windup”, e o baixista Christian McBride, com “Sightseeing”. Marsalis venceu nesta categoria em 2015. Além de Marsalis, outro favorito é Julian Lage, que recebeu sua quinta indicação e traz um disco eclético e, como de costume, criativo, incluindo temas de Ornette Coleman, Keith Jarrett e Jimmy Giuffre.

Por fim, a categoria big band ou orquestra sempre oferece a oportunidade de revelar e apresentar orquestras menos conhecidas do grande público e, ao mesmo tempo, deixar claro que essa vertente do jazz continua ativa e ricamente representada por excelentes músicos que se juntam para fazer música de qualidade. Esse é o exemplo da Terraza Big Band, que concorre pelo disco One Day Wonder. A orquestra toca semanalmente no clube de jazz Terraza 7, que fica na cidade de Nova York, e tem em sua direção Michael Thomas (sax) e Edward Perez (baixo). Sua principal característica é a mistura do jazz com ritmos latinos.

Disco do pianista Mike Holober concorre na categoria melhor disco de big band 

Outro destaque é o disco Triple Helix, comandada pela clarinetista israelense Anat Cohen. Dirigido por Oded Lev-Ari, o álbum oferece uma mescla de música erudita e jazz, com alguns momentos mais introspectivos e outros mais enérgicos. Um disco difícil, mas belíssimo. Outro forte concorrente é o disco duplo Hiding Out, do pianista Mike Holober acompanhado da The Gotham Jazz Orchestra. Com um belíssimo conjunto de saxes, trompetes e trombones, o disco oferece ao ouvinte um experiência sensorial. Destaque para a regravação de “Caminhos Cruzados”, composta por Tom Jobim, com a participação do percussionista brasileiro Rogerio Boccato, que tocou na Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo.

Outro forte candidato é o disco da jovem arranjadora e compositora japonesa, radicada nos Estados Unidos, Miho Hazama. O álbum Dancer in Nowhere oferece uma diversidade sonora que agrada em cheio ao ouvinte que deseja ouvir uma orquestra, mas com uma pegada mais contemporânea. Agora é esperar até o fim de janeiro para descobrirmos quem leva o cobiçado gramofone dourado.

Melhor Improvisação Solo

ELSEWHERE
Melissa Aldana
Álbum: Visions

SOZINHO
Randy Brecker
Álbum: Rocks

TOMORROW IS THE QUESTION
Julian Lage
Álbum: Love Hurts

THE WINDUP
Branford Marsalis
Álbum: The Secret between the Shadow and the Soul

SIGHTSEEING
Christian McBride
Álbum: New Jawn

Álbum Vocal

THIRSTY GHOST
Sara Gazarek

LOVE & LIBERATION
Jazzmeia Horn

ALONE TOGETHER
Catherine Russell

12 LITTLE SPELLS
Esperanza Spalding

SCREENPLAY
The Tierney Sutton Band

Álbum Instrumental

IN THE KEY OF THE UNIVERSE
Joey DeFrancesco

THE SECRET BETWEEN THE SHADOW AND THE SOUL
Branford Marsalis Quartet

CHRISTIAN MCBRIDE’S NEW JAWN
Christian McBride

FINDING GABRIEL
Brad Mehldau

COME WHAT MAY
Joshua Redman Quartet

Álbum de Big Band

TRIPLE HELIX
Anat Cohen Tentet

DANCER IN NOWHERE
Miho Hazama

HIDING OUT
Mike Holober & The Gotham Jazz Orchestra

THE OMNI-AMERICAN BOOK CLUB
Brian Lynch Big Band

ONE DAY WONDER
Terraza Big Band

Álbum de Jazz Latino

ANTIDOTE
Chick Corea & The Spanish Heart Band

SORTE!: MUSIC BY JOHN FINBURY
Thalma de Freitas & Vitor Gonçalves

UNA NOCHE CON RUBÉN BLADES
Jazz At Lincoln Center Orchestra With Wynton Marsalis & Rubén Blades

CARIB
David Sánchez

SONERO: THE MUSIC OF ISMAEL RIVERA
Miguel Zenón

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

 

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Por Emerson Lopes *

A lista dos indicados ao Grammy foi publicada no dia 20 de novembro. A premiação da 62ª edição acontecerá no dia 26 de janeiro de 2020, em Los Angeles. Ao todo são 84 categorias que englobam ritmos como blues, gospel, dance, rock, country, metal, folk, r&b, entre outros. A categoria jazz é dividida em cinco subcategorias. São elas: melhor improvisação solo, melhor disco vocal, melhor disco instrumental, melhor disco de big band e melhor disco de jazz latino.

Neste ano, o Brasil concorre na categoria melhor disco de jazz latino com o álbum Sorte!: Music by John Finbury. O disco traz nos vocais a cantora carioca Thalma de Freitas, acompanhada por Vitor Gonçalves (piano), John Patitucci (baixo), Chico Pinheiro (violão), Airto Moreira e Rogerio Boccato (percussão) e Duduka Da Fonseca (bateria). Os concorrentes da brasileira são Chick Corea & The Spanish Heart Band, Jazz At Lincoln Center Orchestra com Wynton Marsalis & Rubén Blades, David Sánchez e Miguel Zenón. A disputa será difícil, pois Corea e Marsalis são veteranos na premiação e já conquistaram vários prêmios.

Outro brasileiro que pode conquistar o Grammy é o violonista paulista Diego Figueiredo. Ele concorre na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música “Marry Me a Little”, em parceria com a cantora francesa Cyrille Aimée. Diego participa de duas faixas do disco Move On: A Sondheim Adventure, lançado por Cyrille no início de 2019.

Thalma de Freitas é a única brasileira concorrendo ao Grammy 2020

Na categoria melhor disco vocal, o destaque é a cantora Sara Gazarek, que lançou o aclamado disco Thirsty Ghost, e tenta deixar o “segundo escalão” das cantoras de jazz. Vencer o Grammy poderá ser o passo definitivo em sua carreira. Na disputa com Sara estão as experientes Catherine Russell, com Alone Together e The Tierney Sutton Band, com Screenplay. Completam as indicações Esperanza Spalding, com 12 Little Spells, e Jazzmeia Horn, com Love & Liberation. Jazzmeia esteve recentemente no Brasil e tem sido considerada a grande revelação do jazz, com grandes chances de levar seu primeiro Grammy.

Outra curiosidade desta categoria é a falta de um representante masculino. Em 2019, por exemplo, entre os cinco indicados, três eram do sexo masculino. Nas duas últimas edições, na categoria melhor disco vocal, o prêmio ficou com a cantora Cécile McLorin Salvant. Saiba mais sobre o disco de Sara Gazarek na matéria publicada no blog do Blue Note clicando aqui.

Na categoria melhor disco de jazz, a academia indicou nomes consagrados nas últimas três décadas. São eles: o pianista Brad Mehldau, os saxofonistas Branford Marsalis e Joshua Redman, o baixista Christian McBride e o organista Joey DeFrancesco. Dos indicados, apenas Marsalis já levou um Grammy nesta categoria. Veterano em indicações, 10 ao todo, Joshua Redman lançou um dos mais belos álbum de jazz em 2019 (Come What May) e tem todos os requisitos para sair vencedor. Correndo por fora está o onipresente Christian McBride com o ótimo New Jawn, lançado no fim de 2018. Clique aqui e saiba mais sobre os discos de Redman e Marsalis na matéria publicada no blog do Blue Note Rio.

Julian Lage concorre ao Grammy de melhor improvisação de jazz

A categoria melhor improvisação solo destaca sempre um único tema pinçado de um disco. Desta vez, estão na briga o veterano trompetista Randy Brecker, com a música “Sozinho”, do disco Rocks, o guitarrista Julian Lage, com “Tomorrow is the Question”, do disco Love Hurts, a saxofonista chilena Melissa Aldana, com “Elsewhere”, do disco Visions, o saxofonista Branford Marsalis, com “The Windup”, e o baixista Christian McBride, com “Sightseeing”. Marsalis venceu nesta categoria em 2015. Além de Marsalis, outro favorito é Julian Lage, que recebeu sua quinta indicação e traz um disco eclético e, como de costume, criativo, incluindo temas de Ornette Coleman, Keith Jarrett e Jimmy Giuffre.

Por fim, a categoria big band ou orquestra sempre oferece a oportunidade de revelar e apresentar orquestras menos conhecidas do grande público e, ao mesmo tempo, deixar claro que essa vertente do jazz continua ativa e ricamente representada por excelentes músicos que se juntam para fazer música de qualidade. Esse é o exemplo da Terraza Big Band, que concorre pelo disco One Day Wonder. A orquestra toca semanalmente no clube de jazz Terraza 7, que fica na cidade de Nova York, e tem em sua direção Michael Thomas (sax) e Edward Perez (baixo). Sua principal característica é a mistura do jazz com ritmos latinos.

Disco do pianista Mike Holober concorre na categoria melhor disco de big band 

Outro destaque é o disco Triple Helix, comandada pela clarinetista israelense Anat Cohen. Dirigido por Oded Lev-Ari, o álbum oferece uma mescla de música erudita e jazz, com alguns momentos mais introspectivos e outros mais enérgicos. Um disco difícil, mas belíssimo. Outro forte concorrente é o disco duplo Hiding Out, do pianista Mike Holober acompanhado da The Gotham Jazz Orchestra. Com um belíssimo conjunto de saxes, trompetes e trombones, o disco oferece ao ouvinte um experiência sensorial. Destaque para a regravação de “Caminhos Cruzados”, composta por Tom Jobim, com a participação do percussionista brasileiro Rogerio Boccato, que tocou na Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo.

Outro forte candidato é o disco da jovem arranjadora e compositora japonesa, radicada nos Estados Unidos, Miho Hazama. O álbum Dancer in Nowhere oferece uma diversidade sonora que agrada em cheio ao ouvinte que deseja ouvir uma orquestra, mas com uma pegada mais contemporânea. Agora é esperar até o fim de janeiro para descobrirmos quem leva o cobiçado gramofone dourado.

Melhor Improvisação Solo

ELSEWHERE
Melissa Aldana
Álbum: Visions

SOZINHO
Randy Brecker
Álbum: Rocks

TOMORROW IS THE QUESTION
Julian Lage
Álbum: Love Hurts

THE WINDUP
Branford Marsalis
Álbum: The Secret between the Shadow and the Soul

SIGHTSEEING
Christian McBride
Álbum: New Jawn

Álbum Vocal

THIRSTY GHOST
Sara Gazarek

LOVE & LIBERATION
Jazzmeia Horn

ALONE TOGETHER
Catherine Russell

12 LITTLE SPELLS
Esperanza Spalding

SCREENPLAY
The Tierney Sutton Band

Álbum Instrumental

IN THE KEY OF THE UNIVERSE
Joey DeFrancesco

THE SECRET BETWEEN THE SHADOW AND THE SOUL
Branford Marsalis Quartet

CHRISTIAN MCBRIDE’S NEW JAWN
Christian McBride

FINDING GABRIEL
Brad Mehldau

COME WHAT MAY
Joshua Redman Quartet

Álbum de Big Band

TRIPLE HELIX
Anat Cohen Tentet

DANCER IN NOWHERE
Miho Hazama

HIDING OUT
Mike Holober & The Gotham Jazz Orchestra

THE OMNI-AMERICAN BOOK CLUB
Brian Lynch Big Band

ONE DAY WONDER
Terraza Big Band

Álbum de Jazz Latino

ANTIDOTE
Chick Corea & The Spanish Heart Band

SORTE!: MUSIC BY JOHN FINBURY
Thalma de Freitas & Vitor Gonçalves

UNA NOCHE CON RUBÉN BLADES
Jazz At Lincoln Center Orchestra With Wynton Marsalis & Rubén Blades

CARIB
David Sánchez

SONERO: THE MUSIC OF ISMAEL RIVERA
Miguel Zenón

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

 

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