Maria Mendes faz deliciosa ponte entre jazz e fado

17/01/2020 | 18:34

Por Emerson Lopes*

É inevitável falar de fado quando fazemos referência à música portuguesa. Obviamente que a arte e a música de Portugal vão muito além do fado, mas a importância desta expressão cultural portuguesa é onipresente. Nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Carlos Paredes são responsáveis pela fascinação que o fado exerce sobre os ouvintes em diferentes cantos do planeta.

Mas para quem deseja “fugir” do óbvio, basta querer dar o primeiro passo. Muito provavelmente você vai se deparar com Mariza, Carminho, Joana Amendoeira e Ana Moura, algumas das cantoras portuguesas mais populares do país. Mas essa lista não estará completa sem a presença de Maria Mendes, cantora que vive há uma década na Holanda.

Ela lançou no fim de 2019 o disco Close to Me, pela gravadora Justin Time. O álbum tem como grande êxito misturar fado com jazz e orquestra. Para ajudá-la neste projeto, Maria escalou o pianista e arranjador norte-americano John Beasley e a orquestra holandesa Metropole Orkest. Além disso, ela também é acompanhada do seu costumeiro trio, formado por Karel Boehlee (piano), Jasper Somsen (baixo) e Jasper van Hulten (bateria).

Capa do terceiro disco da cantora nascida no Porto

Com os músicos em campo, a cantora oferece ao ouvinte uma experiência única, com o jazz permeando todas as canções. A música mais impactante é a versão de “Barco Negro”, de Amália Rodrigues. Aqui, Maria é acompanhada pela orquestra e imprime uma cadência quase lírica ao seu canto. Em “Verdes Anos”, de Paredes, a técnica de scat e o lírico se encontram em uma pulsante versão de tirar o fôlego.

O Brasil está representado com a composição de Hermeto Pascoal na brasileiríssima “Hermetos Fado for Maria”, com a cantora novamente abusando da técnica scat. Maria gravou ainda três composições próprias. Destaque para “Tempo Emotivo”, com Maria acompanhada apenas do vibrafone de Vincent Houdijk, e “Fado da Invejosa”, que oferece uma bela fusão entre o trio de jazz e a orquestra Metropole.

Amália volta com força e jazzística nos temas “Tudo Isto é Fado”, “Foi Deus” e “Asas Fechadas”. Em contraponto, o ouvinte também tem a oportunidade de ouvir compositores contemporâneos nos temas “Há Música do Povo”, de Mariza com letra de Fernando Pessoa, e “E se não for Fado”, de Mafalda Arnauth.

Justin Time

No catálogo da gravadora canadense Justin Time é possível perceber o predomínio de cantoras. Além da portuguesa, encontramos nomes como Emma Frank, Laura Anglade, Barba Lica, Halie Loren, Katherine Penfold e Ariel Pocock. O selo também é a casa da veterano Carmen Lundy e da premiada cantora Cécile McLorin Salvant. Vale a pena uma visita na pagina oficial da gravadora na plataforma Soudcloud, onde é possível ouvir músicas de todas essas cantoras na íntegra.

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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Por Emerson Lopes*

É inevitável falar de fado quando fazemos referência à música portuguesa. Obviamente que a arte e a música de Portugal vão muito além do fado, mas a importância desta expressão cultural portuguesa é onipresente. Nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Carlos Paredes são responsáveis pela fascinação que o fado exerce sobre os ouvintes em diferentes cantos do planeta.

Mas para quem deseja “fugir” do óbvio, basta querer dar o primeiro passo. Muito provavelmente você vai se deparar com Mariza, Carminho, Joana Amendoeira e Ana Moura, algumas das cantoras portuguesas mais populares do país. Mas essa lista não estará completa sem a presença de Maria Mendes, cantora que vive há uma década na Holanda.

Ela lançou no fim de 2019 o disco Close to Me, pela gravadora Justin Time. O álbum tem como grande êxito misturar fado com jazz e orquestra. Para ajudá-la neste projeto, Maria escalou o pianista e arranjador norte-americano John Beasley e a orquestra holandesa Metropole Orkest. Além disso, ela também é acompanhada do seu costumeiro trio, formado por Karel Boehlee (piano), Jasper Somsen (baixo) e Jasper van Hulten (bateria).

Capa do terceiro disco da cantora nascida no Porto

Com os músicos em campo, a cantora oferece ao ouvinte uma experiência única, com o jazz permeando todas as canções. A música mais impactante é a versão de “Barco Negro”, de Amália Rodrigues. Aqui, Maria é acompanhada pela orquestra e imprime uma cadência quase lírica ao seu canto. Em “Verdes Anos”, de Paredes, a técnica de scat e o lírico se encontram em uma pulsante versão de tirar o fôlego.

O Brasil está representado com a composição de Hermeto Pascoal na brasileiríssima “Hermetos Fado for Maria”, com a cantora novamente abusando da técnica scat. Maria gravou ainda três composições próprias. Destaque para “Tempo Emotivo”, com Maria acompanhada apenas do vibrafone de Vincent Houdijk, e “Fado da Invejosa”, que oferece uma bela fusão entre o trio de jazz e a orquestra Metropole.

Amália volta com força e jazzística nos temas “Tudo Isto é Fado”, “Foi Deus” e “Asas Fechadas”. Em contraponto, o ouvinte também tem a oportunidade de ouvir compositores contemporâneos nos temas “Há Música do Povo”, de Mariza com letra de Fernando Pessoa, e “E se não for Fado”, de Mafalda Arnauth.

Justin Time

No catálogo da gravadora canadense Justin Time é possível perceber o predomínio de cantoras. Além da portuguesa, encontramos nomes como Emma Frank, Laura Anglade, Barba Lica, Halie Loren, Katherine Penfold e Ariel Pocock. O selo também é a casa da veterano Carmen Lundy e da premiada cantora Cécile McLorin Salvant. Vale a pena uma visita na pagina oficial da gravadora na plataforma Soudcloud, onde é possível ouvir músicas de todas essas cantoras na íntegra.

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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