Sara Gazarek volta ousada e madura

30/08/2019 | 15:43

Por Emerson Lopes*

Mais de uma década se passou desde o o lançamento do primeiro disco da cantora norte-americana Sara Gazarek. De lá para cá, apesar de ser respeitada pela crítica especializada, Sara continua no segundo escalação, atrás de cantoras mais contemporâneas como Cécile McLorin Salvant, Esperanza Spalding, Lizz Wright, Cyrille Aimée e Gretchen Parlato.

É claro que o sucesso pode não ser o principal objetivo de um artista, mas não adianta você ter um trabalho de qualidade e não ser reconhecido por isso. Não é uma questão de ego, mas sim uma recompensa mais do que merecida para um artista que doa boa parte de sua vida pelo desejo de expressar sua arte, com dedicação, formação e, principalmente, paixão pelo que faz.

Sara Gazarek lança novo álbum, o primeiro produzido inteiramente pela cantora

Agora, Sara Gazarek parece ter se encontrado definitivamente. Com o lançamento do disco Thirsty Ghost, o sexto da carreira, a cantora deixou de lado canções “mais tolas” e mergulhou em um caldeirão sonoro que inclui Nick Drake, Sam Smith, Dolly Parton e Stevie Wonder. O resultado é um disco atrevido e pulsante.

Em entrevistas recentes, ela falou da importância do cantor Kurt Elling nesta mudança. “Após uma apresentação, Kurt conversou comigo e disse que eu tinha potencial para crescer artisticamente e que ficar limitada a ser uma cantora de standard não era o suficiente”.

A chacoalhada do veterano cantor foi crucial para a mudança de rumo e atitude de Sara. Isso fica claro logo na primeira canção, “Never Will I Marry”, com destaque para o teclado de Stu Mindeman e a bateria de Christian Euman. O tema mostra uma cantora consciente de sua capacidade e altiva para alçar voos mais perigosos. Na sequência, uma versão deliciosa de “I’m Not the Only One”, sucesso mundial na voz do cantor Sam Smith.

Álbum tem a participação do cantor Kurt Elling e do pianista Larry Goldings 

Outras versões também mostram a procura de Sara por distintos gêneros e épocas, com “River Man”, de Nick Drake (1969), “I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)”, de Stevie Wonder, “Jolene”, de Dolly Parton e “Cocoon”, de Björk. Ainda no território de composições alheias, Sara oferece ao ouvinte uma bela versão cantada de uma composição do pianista Brad Mehldau, que aqui ganhou o nome de “Distant Storm”, com a participação especial de Kurt Elling.

Quem também dá tempero ao disco é o pianista Larry Goldings, que toca em duas composições escritas em parceria com Sara: “Easy Love” e “Gaslight District”. Para fechar, a cantora deixou o mais jazzístico tema do álbum: “Spinning Round”, com direito da scat, solo de piano e um andamento rítmico alternando o tempo inteiro.

O que acontecerá com Sara Gazarek depois de Thirsty Ghost só o tempo dirá. Independentemente do resultado, para os mais atentos, ficará a certeza de que a cantora não é popular por falta de ousadia ou talento, mas, talvez, porque nem todos nesta vida foram forjados para alcançar a notoriedade ou mudar paradigmas. Quem sabe, não é mesmo?

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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Por Emerson Lopes*

Mais de uma década se passou desde o o lançamento do primeiro disco da cantora norte-americana Sara Gazarek. De lá para cá, apesar de ser respeitada pela crítica especializada, Sara continua no segundo escalação, atrás de cantoras mais contemporâneas como Cécile McLorin Salvant, Esperanza Spalding, Lizz Wright, Cyrille Aimée e Gretchen Parlato.

É claro que o sucesso pode não ser o principal objetivo de um artista, mas não adianta você ter um trabalho de qualidade e não ser reconhecido por isso. Não é uma questão de ego, mas sim uma recompensa mais do que merecida para um artista que doa boa parte de sua vida pelo desejo de expressar sua arte, com dedicação, formação e, principalmente, paixão pelo que faz.

Sara Gazarek lança novo álbum, o primeiro produzido inteiramente pela cantora

Agora, Sara Gazarek parece ter se encontrado definitivamente. Com o lançamento do disco Thirsty Ghost, o sexto da carreira, a cantora deixou de lado canções “mais tolas” e mergulhou em um caldeirão sonoro que inclui Nick Drake, Sam Smith, Dolly Parton e Stevie Wonder. O resultado é um disco atrevido e pulsante.

Em entrevistas recentes, ela falou da importância do cantor Kurt Elling nesta mudança. “Após uma apresentação, Kurt conversou comigo e disse que eu tinha potencial para crescer artisticamente e que ficar limitada a ser uma cantora de standard não era o suficiente”.

A chacoalhada do veterano cantor foi crucial para a mudança de rumo e atitude de Sara. Isso fica claro logo na primeira canção, “Never Will I Marry”, com destaque para o teclado de Stu Mindeman e a bateria de Christian Euman. O tema mostra uma cantora consciente de sua capacidade e altiva para alçar voos mais perigosos. Na sequência, uma versão deliciosa de “I’m Not the Only One”, sucesso mundial na voz do cantor Sam Smith.

Álbum tem a participação do cantor Kurt Elling e do pianista Larry Goldings 

Outras versões também mostram a procura de Sara por distintos gêneros e épocas, com “River Man”, de Nick Drake (1969), “I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)”, de Stevie Wonder, “Jolene”, de Dolly Parton e “Cocoon”, de Björk. Ainda no território de composições alheias, Sara oferece ao ouvinte uma bela versão cantada de uma composição do pianista Brad Mehldau, que aqui ganhou o nome de “Distant Storm”, com a participação especial de Kurt Elling.

Quem também dá tempero ao disco é o pianista Larry Goldings, que toca em duas composições escritas em parceria com Sara: “Easy Love” e “Gaslight District”. Para fechar, a cantora deixou o mais jazzístico tema do álbum: “Spinning Round”, com direito da scat, solo de piano e um andamento rítmico alternando o tempo inteiro.

O que acontecerá com Sara Gazarek depois de Thirsty Ghost só o tempo dirá. Independentemente do resultado, para os mais atentos, ficará a certeza de que a cantora não é popular por falta de ousadia ou talento, mas, talvez, porque nem todos nesta vida foram forjados para alcançar a notoriedade ou mudar paradigmas. Quem sabe, não é mesmo?

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

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